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DICAS

Vantagens e Benefícios de Correr

A Corrida tem imensos benefícios.

Há cada vez mais adeptos, o número de atletas em provas bate recordes a um ritmo considerável e há mais provas por fim de semana do que dias ao longo do ano. 

Com este crescendo de praticantes, é quase impossível, não dizer que a corrida é viciante alastrou a muita gente.

 

Mas será este vício, benéfico para o nosso corpo? 

Será que traz vantagens? 

E desvantagens?

 

No que se refere ao impacto na saúde, destacamos 3 pontos importantes: 

  • Redução do risco de doenças cardiovasculares, ajuda a pressão arterial a manter-se em níveis satisfatórios e aumenta as taxas de HDL (o bom colesterol);
  • Diminuição do risco de desenvolver diabetes;
  • Estimulação da regeneração óssea através do impacto.

 

A corrida também tem vantagens, e não são apenas físicas: 

  • A corrida pode aumentar a sua confiança e auto-estima;
  • Como? Estabelecendo e atingindo objetivos, que lhe irão dar uma grande sensação de dever cumprido e que o(a) deixará muito mais feliz e confiante;
  • Libertação de stress. O stress é causador de inúmeros problemas de saúde, de alterações de humor, pode também diminuir o apetite e a qualidade do sono, mas, quando corremos, obrigamos o nosso sistema a produzir energia e hormonas, nomeadamente a Dopamina que nos dá uma sensação de prazer.

 

Outro exemplo é no combate à depressão. Através da corrida há libertação de diversas hormonas que naturalmente irão alterar o nosso humor. 

 

Contudo, correr sem tomar alguns cuidados pode implicar riscos para a saúde e causar lesões. 

Exames médicos prévios e o acompanhamento de um profissional de exercício e saúde são altamente recomendáveis para quem pretende correr em segurança.

O reforço muscular é essencial para proteção das articulações e melhorias ao nível da performance.

 

A hidratação, prévia e pós exercício, é essencial para evitar desidratação. De salientar que, em muitos casos, a água não é suficiente.

 

Realizar alongamentos dinâmicos, antes e depois do exercício, aumenta a mobilidade e a amplitude do movimento sendo igualmente essencial para prevenção de lesões.

Segundo um estudo Americano publicado no Journal of the American College of Cardiology, mostrou que uma corrida de baixa intensidade, durante apenas 5 a 10 minutos por dia, é suficiente para prolongar a vida por vários anos, em comparação com pessoas que não correm.

Pelo bem da sua saúde, corra, ande, mexa-se. Pequenos momentos de exercícios são tão valiosos quanto anos da sua vida.

 

Correr no Feminino

O fenómeno da corrida tem crescido em Portugal e ainda bem que este número tem aumentado pois tornou-se uma preciosa ajuda no combate aos casos de obesidade, a par do aumento de doenças relacionadas com o sedentarismo.  A quantidade de mulheres corredoras, neste momento, é admirável.

A corrida é uma oportunidade para melhorar a sua saúde e condição física. Além disso, a mulher conta com uma característica muito importante: 

  • A determinação. Neste âmbito temos cada vez mais mulheres a somar kms e a avançar para distâncias mais ousadas como as maratonas e as ultras, a par claro, das meias.

 

Deixamos, portanto, algumas dicas e curiosidades para as atletas:

  • As mulheres que correm, produzem um estrogénio menos potente que as mulheres sedentárias, diminuindo, cerca de 50% o risco de desenvolver cancro da mama e cancro do útero, e reduzem em cerca de 67% o risco de contrair diabetes;
  • Os dois minerais que as mulheres mais precisam acautelar, são o cálcio e o ferro (ferro em especial para mulheres menstruadas).
  • Boas fontes de cálcio são os lacticínios, brócolos, sardinhas, salmão, grão de bico, soja. Enquanto que alimentos ricos em ferro são cereais integrais, leguminosas, legumes de folha verde, carne e frutos secos;
  • A corrida ajuda a produzir uma pele saudável. Segundo os dermatologistas, a corrida estimula a circulação, o transporte de nutrientes e elimina resíduos. Há uma redução da gordura subcutânea, tornando a pele mais saudável e cuidada;
  • Se faz treinos de corrida intensos, diminuindo o fluxo menstrual, ou tornando-o inexistente, estará a por em risco a saúde dos seus ossos. A amenorreia (falta de menstruação) significa que a quantidade de estrogénio produzida é insuficiente para a reposição óssea. A amenorreia pode parar, mas não consegue reverter a falta de estrogénio. Se a sua menstruação não é frequente ou ausentes, consulte um ginecologista, de preferência um sensível às necessidades das corredoras;
  • É sempre uma boa ideia usar um sutiã desportivo quando corre. Ao controlar o movimento do seu peito, isso fará com que se sinta mais confortável. 

 

Procure um que se estenda horizontalmente, mas não verticalmente. Mais importante ainda, experimente antes de comprar. Corra ou salte no local para ver se isso lhe dá o suporte que precisa.

  • As mulheres suam menos do que os homens. No entanto, ao contrário da crença popular, as mulheres dissipam tanto calor quanto os homens. A razão: as mulheres são menores e têm uma relação corpo-superfície-volume maior, o que significa que, embora a diminuição da temperatura seja menos eficiente, elas precisam de menos para alcançar o mesmo resultado. No entanto, certifique-se de beber muita água (até que a sua urina seja transparente) para compensar os efeitos da transpiração e prevenir a desidratação.

3 Regras de Ouro para os Corredores

Correr e Caminhar embora no mesmo plano de movimento e usando os mesmos segmentos tem diferenças que depois de explicadas poderão ajudar quem quer iniciar um programa de marcha e/ou corrida.
Caminhar não tem fase aérea logo os pés não flutuam prevenindo assim possíveis lesões e traumas por impacto nas articulações.


Correr tem aquilo que gostamos de chamar de flutuação dupla, logo o risco de impacto aumenta, pois o peso corporal duplica e desta forma devemos encarar a corrida de forma mais cuidada e responsável.


Por vezes perguntam-nos o que recomendamos a quem quer iniciar um programa de treino de corrida e na verdade há 3 pontos que consideramos vitais:

  • Respiração – pois sem respirar não há vida 
  • Fluidez da passada – manter o controle da oscilação vertical evitando-a e procurar deslocar o corpo para a frente e não para cima.
  • Cadência – procurar colocar os pés perto do centro de massa, dar mais passos significa maior eficiência da cadência e menor gasto energético.

 

Estes são, para nós, 3 elementos chave para todos os runners e que esperamos os pratiquem, para assim conseguirem construir de forma gradual bons hábitos de treino de corrida.


Queremos, no entanto, relembrar 3 aspectos importantes e que gostaríamos fossem de fácil compreensão para todos os runners, são eles:

  • A gravidade – afecta tudo e todos e da mesma forma;
  • Forças de reacção – se correr no 3º anterior do pé/meio do pé gera uma aceleração fluída e continua ao passo que se for na parte de trás/calcanhar irá desacelerar e gerar carga de impacto a a cada passo que quer dar;
  • Elasticidade muscular – a capacidade que o musculo tem de contrair e alongar quando lhe são aplicadas forças.

 

Queremos que haja mais runners, durante mais tempo/kms e sem lesões e é essa a nossa missão porque correr é inato à natureza humana e faz de nós pessoas mais felizes e saudáveis.
Corram pela vossa saúde e estejam atentos aos sinais que o vosso corpo dá. 


Pratiquem corrida mas para tal devem:

  • Consultar um médico que deverá avaliar a vossa aptidão à prática de exercício físico;
  • Fazer uma avaliação inicial com um profissional de exercício físico que tem de ter número de cédula profissional emitida pelo IPDJ;
  • Construir um plano especializado e adaptado;
  • Procurar acompanhamento especializado.

 

Desta forma e seguindo estas diretrizes consideramos haver segurança e preparação efetiva para uma prática segura.


Bons treinos!

“Asma não é impedimento para a prática de exercício físico”

Empenhada em demonstrar que a asma não é impedimento para a prática de exercício físico, a Comissão de Trabalho de Alergologia Respiratória assinalou, no ano passado, o Dia Mundial da Asma como uma corrida que contou com mais de 100 participantes. Corra com a Asma foi o mote dessa iniciativa que, de certa forma, acabou por dar agora origem à Corrida do Pulmão.

“O objetivo deste ano foi alargar a corrida a todo o tipo de doentes respiratórios, onde se incluem os asmáticos. Diversos estudos comprovam que, a prática de uma atividade física regular, traz benefícios para a saúde, física e mental. Vai atuar não apenas na prevenção de diversas patologias, mas também na melhoria dos sintomas, melhoria da qualidade de vida, e até diminuir a progressão de algumas doenças”, justificam a Dr.ª Filipa Todo Bom e a Dr.ª Rita Gerardo. As representantes da Comissão de Trabalho de Alergologia Respiratória da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Segundo as duas pneumologistas, “os doentes com asma podem, com segurança, realizar atividades desportivas, desde que tenham a sua doença controlada. Para tal, é essencial um acompanhamento médico regular, devendo o doente esclarecer as suas dúvidas com o médico assistente. Fazendo um correto período de aquecimento e cumprindo a terapêutica recomendada, é possível fazer desporto sem limitações”.

Os sintomas de asma variam, não apenas com o tipo de desporto e a intensidade do exercício, mas também com as condições ambientais em que este é praticado. “Desportos como a natação, caminhadas, bicicleta, ioga, golfe, ténis e voleibol, são recomendados”, referem as especialistas. Dentro destes, “é de salientar a natação, uma vez que permite treinar em ambientes quentes e húmidos, menos capazes de induzir sintomas. De referir, no entanto, que para alguns doentes, os altos níveis de cloro podem ter um papel de irritante da via aérea, agravando deste modo os sintomas”.

Na perspetiva da CT de Alergologia Respiratória, faz todo o sentido promover este tipo de iniciativas, envolvendo toda a população. “É essencial passar a mensagem que o sedentarismo é um inimigo da saúde. Esperamos assim, com estas atividades, melhorar a saúde global dos nossos doentes, e da população no geral. Cabe a nós, profissionais de saúde, mudar mentalidades, ajudando a implementar estilos de vida saudáveis”.

180 PPM (passadas por minuto)

A avaliação da cadência de corrida é o 1º passo para o sucesso enquanto corredor, quer seja recreativo ou profissional.

Desta forma antes de iniciar um programa de treino de corrida com vista a uma prova ou mesmo com o simples objetivo de começar a correr para melhorar a forma física, é muito importante avaliar a cadência da passada.

No O2 Life Center, a par de tantos autores como o Prof. Nicholas Romanov, ou o Prof. Jack Daniels, defendemos esta teoria.

A grande maioria dos atletas de elite apresentam um padrão de corrida semelhante.

Não é igual para todos mas bastante aproximado, uns dos outros e o grande denominador é mesmo o número de passos por minuto (ppm) ou em inglês strides per minute (spm).

É, sobre os ppm que iremos falar.

Quantos ppm? 180. Poderá haver uma oscilação, mas deverá ser muito pouca. Essa oscilação deverá ser menor quando falamos de menos passos por minuto.

Vantagens:

- diminuição do risco de impacto;

- possível decréscimo de lesão associado ao menor impacto;

- menores cargas de reação uma vez que o ponto de apoio está mais próximo do centro de massa, visto estarmos a correr com os pés por baixo do corpo e não à frente.

E porquê menores?

- porque há mais passos;

- menor alavanca, já que a perna não estica toda à frente;

- diminuído  braço de força;

- a zona de impacto deixa de ser o calcanhar e passa a ser o meio do pé/terço anterior ou dito de outra forma a parte da frente.

Lembrem-se que quanto mais tempo demorarem a colocar um pé no chão mais tempo ele está no ar, logo o seu centro de massa estará mais tempo em fase aérea e a subir o que conduzirá a maior peso quando chegar ao chão.

Acreditem em nós quando afirmamos que as lesões acontecem quando os pés tocam no chão.

Como fazem para mudar? Há muitos exercícios que utilizamos e ensinamos mas o mais fácil é começar por imaginar que rolam pelo chão em vez de saltitar e a cada passo tentem colocar o pé por baixo do vosso centro de massa e não à frente o que fará com que corram para a frente diminuindo a força de inércia e aumentando a cadência.

Corram direitos com respiração fluída e divirtam-se!

 

 

Tabaco e desporto

Fazem parte do passado as campanhas publicitárias levadas a cabo por empresas tabaqueiras utilizando desportos de elite para vender cigarros. Tais campanhas são hoje proibidas, na medida em que o tabaco não é, claramente, amigo dos desportistas. Aliás, defendem o Dr. José Pedro Boléo-Tomé e a Dr.ª Paula Rosa, “o atleta fumador cansa-se muito mais depressa” do que o atleta não fumador. No entanto, em indivíduos que estão em processo de cessação tabágica, o desporto é muitas vezes o escape. Por um lado “ajuda a controlar o peso”, por outro, “melhora os sintomas de ansiedade, a qualidade do sono e a sensação de bem-estar”, acrescentam os representantes da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

 

- Qual a relação entre o desporto e o tabaco?

Comissão de Tabagismo (CT) - Fazer desporto e fumar parecem à partida duas atividades completamente antagónicas, a primeira associada à saúde e bem-estar, a segunda à doença, dependência e perda de qualidade de vida. No entanto, durante décadas, a indústria tabaqueira tentou, com bastante sucesso, passar a ideia contrária – associar o tabaco a desportos de elite, ao sucesso, à boa performance – por exemplo patrocinando grandes eventos desportivos e marcas. Felizmente, hoje essas práticas são proibidas e conhece-se muito bem a péssima relação que existe entre a performance desportiva e o fumo de tabaco, e também os efeitos altamente nocivos da exposição ao fumo nos espetadores de eventos desportivos, por exemplo.

- O tabaco interfere no rendimento desportivo?

CT - Sem dúvida. Muito antes de causar doença crónica, os tóxicos do tabaco induzem alterações no sistema cardiovascular e respiratório que diminuem o rendimento atlético, mesmo em exposições curtas ou esporádicas. A nicotina acelera a frequência respiratória e cardíaca basal; a capacidade de tolerância ao exercício diminui; a vasoconstrição leva a que chegue menos oxigénio aos músculos, o que interfere com todos os desportos, e a maior acumulação de ácido láctico e CO2. Com o persistir do consumo, a capacidade respiratória e elasticidade pulmonar reduzem-se – o atleta cansa-se muito mais depressa.

- No contexto da cessação tabágica, muitos doentes referem que passaram a dedicar-se mais ao desporto. Esta medida surge num contexto de adoção de um estilo de vida saudável ou o desporto pode também ser uma forma de colmatar a perda do prazer associado ao tabaco?

Deixar de fumar e fazer atividade física fazem parte de um contexto mais lato de hábitos de vida saudável. Além de o desporto ajudar a controlar o peso (deixar de fumar aumenta o apetite e pode levar a aumentos de 3-4kg), melhora os sintomas de ansiedade, a qualidade do sono e a sensação de bem-estar geral. O ex-fumador só tem a ganhar ao fazer exercício, e é uma medida muito barata!

- Qual a importância de uma sociedade científica se envolver em iniciativas dedicadas à população, como é o caso da Corrida do Pulmão?

CT - Sabemos que as medidas com melhor custo-benefício em saúde são as mudanças de estilo de vida. Para promover a melhor saúde respiratória dos portugueses, a SPP empenha-se em iniciativas muito concretas e simples, mas de elevado impacto. Deixar de fumar e fazer exercício físico são duas medidas que melhoram muitíssimo a qualidade de vida, previnem a doença e poupam custos. Informar também salva vidas: as doenças respiratórias são cada vez mais frequentes e incapacitantes e é possível preveni-las. Por isso, não fume e mexa-se!

Exercício físico em doentes com DPOC melhora

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença progressiva e irreversível que afeta os brônquios e os pulmões, bem como todas as vertentes da sua vida. Segundo a Dr.ª Ana Sofia Oliveira e a Dr.ª Inês Gonçalves, “a DPOC afeta cerca de 14% na população portuguesa com mais de 40 anos”. Quanto mais a doença avança, maior é o impacto nas atividades diárias. No entanto, “o exercício físico nos doentes com DPOC está associado à melhoria da capacidade funcional, redução dos sintomas, melhoria da força muscular, diminuição do risco de mortalidade, diminuição dos internamentos hospitalares, melhoria significativa da qualidade de vida relacionada à saúde física e mental”, explicam as representantes da a Comissão de Trabalho de Fisiopatologia Respiratória e DPOC da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

 

- Qual o papel da atividade física na abordagem de um doente com DPOC?

Comissão de Trabalho de Fisiopatologia Respiratória e DPOC (CTFRDPOC) - A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma das principais causas de morte e de incapacidade física em todo o mundo.  

À medida que a doença vai progredindo, ocorre um maior impacto negativo ao nível respiratório e cardíaco, no sistema musculoesquelético e ainda nos aspetos psicossociais. Este envolvimento mais global leva a uma redução da qualidade de vida e diminuição da sobrevida. Existem diversos estudos que demostram que o exercício físico nos doentes com DPOC está associado à melhoria da capacidade funcional, à redução dos sintomas, à melhoria da força muscular, à diminuição do risco de mortalidade, à diminuição dos internamentos hospitalares, a uma melhoria significativa da qualidade de vida relacionada à saúde física e mental. É de extrema importância incorporar ao tratamento farmacológico da DPOC um programa regular de exercício físico.

 

- O exercício físico pode complementar ao tratamento farmacológico?

CTFRDPOC -A abordagem da DPOC é multidisciplinar já que diversas vezes se associa a outras doenças como as cardiovasculares. Existem tratamentos farmacológicos e tratamentos não farmacológicos que controlam os sintomas, reduzem as complicações e as exacerbações ou agudizações da doença. Os tratamentos não farmacológicos são: a reabilitação ou ginástica respiratória; a oxigenoterapia; o uso de ventiladores para ajudar os músculos no controlo respiratório; ou as cirurgias, que podem mesmo incluir o transplante pulmonar. O exercício pode melhorar significativamente o prognóstico destes doentes.

 – Quais são os exercícios recomendados para doentes com DPOC?

CTFRDPOC - Os doentes com DPOC apresentam intolerância ao exercício em consequência das alterações funcionais do pulmão e da disfunção musculoesqueléticas (falta de condicionamento físico e fraqueza muscular importante). Mas, ao contrário do que se pensa, os portadores dessa doença não devem parar de fazer exercício físico. Os exercícios podem ajudar os doentes com DPOC na realização de atividades básicas do dia-a-dia. São recomendados diversos exercícios, com diferentes graus de complexidade, que vão ajudar na reabilitação cardiorrespiratória e muscular, tais como: caminhada (ao ar livre ou na passadeira); andar de bicicleta; subir escadas; natação; atividades recreativas; alongamentos; e musculação (membros inferiores e superiores). A intensidade e frequência dos exercícios podem variar de acordo com a gravidade da DPOC. Mas, de forma geral, as seguintes recomendações podem ser adotadas, de acordo com orientações de profissionais especializados, tendo em conta: uma duração mínima de 20 minutos por sessão de exercício; um aumento gradual da carga; uma média de 3 a 5 sessões por semana para treinos de resistência; 2 a 3 sessões para treino de força (musculação); e uma manutenção da frequência de treino (no mínimo uma sessão) após atingir os objetivos do tratamento.

 – Quais são os exercícios que estão contraindicados?

CTFRDPOC - O tipo, a intensidade e frequência dos exercícios podem variar de acordo com a gravidade do doente com DPOC. O doente deve consultar sempre um profissional especializado antes de iniciar um programa de exercício físico.

RX - De que forma o exercício pode ajudar um doente com DPOC a manter-se autónomo nas suas atividades do dia-a-dia?

CTFRDPOC -O exercício físico poderá ajudar em diferentes vertentes, tais como: uma melhoria da respiração; uma diminuição da quantidade de expetoração; uma redução da falta de ar durante a realização das tarefas dia-a-dia; uma melhoria da capacidade muscular tornando-o mais independente e um auxílio no controlo do peso.

- Quais são as consequências da inatividade e do sedentarismo?

CTFRDPOC - O doente com DPOC que se torna inativo tem mais sintomas, nomeadamente falta de ar (dispneia), maior atrofia muscular e disfunção óssea, um aumento da probabilidade de ter infeções respiratórias, maior número de internamentos hospitalares bem como o aumento da gravidade dos mesmos e uma redução da qualidade de vida e da sobrevida.

- No contexto da sensibilização da população, o que se pretende com esta corrida/caminhada?

CTFRDPOC - Ainda que se trate de uma doença altamente subdiagnosticada, estudos indicam que a DPOC afeta cerca de 14% na população portuguesa com mais de 40 anos. Verificando-se que muitos doentes não procuram o médico até terem perdido cerca de 50% da capacidade respiratória. A Comissão de Trabalho de Fisiopatologia Respiratória e DPOC da SPP, promove um desafio que visa sensibilizar as pessoas para esta doença que afeta cerca de 800 mil portugueses. A DPOC é uma doença altamente incapacitante. Debilita quem a tem ao ponto de impedir de trabalhar, de sair de casa porque causa uma constante sensação de falta de ar. Simples atividades do dia-a-dia, como andar, subir umas escadas ou até ler em voz alta é algo que requer um esforço acrescido para quem sofre de DPOC. Neste sentido, a melhor forma que encontrámos para passar esta mensagem, foi desafiar todas as pessoas a efetuar uma caminha/corrida, para alertar para a importância do diagnóstico da DPOC e da importância do exercício físico no auxílio do controlo da doença, a par do acompanhamento médico e do cumprimento da medicação. Este é um desafio acompanhado por uma campanha de sensibilização, suportada por uma campanha digital, onde cada pessoa poderá colocar-se à prova e desta forma contribuir para uma maior sensibilização da sociedade. Para nós, é fundamental promover o diagnóstico precoce da DPOC de modo a intervir atempadamente e abrandar o declínio mais acelerado da capacidade respiratória do doente.

Reabilitação Respiratória é “a intervenção terapêutica com melhor relação custo-benefício”

A Reabilitação Respiratória (RR) é uma intervenção multidisciplinar dirigida a um vasto leque de problemas inerentes ao estado de saúde físico e psicológico do doente em que a terapêutica farmacológica, por si só, é incapaz de abordar adequadamente. A RR é “a intervenção terapêutica com melhor relação custo-benefício” afirma a Dr.ª Inês Sanches. Este tipo de terapêutica consiste desde conselhos, a cuidados de nutrição, medidas de conforto ou treino específico que visam reduzir sintomas, otimizar a autonomia e capacidade funcional, aumentar a participação social e reduzir custos, através da reabilitação e recuperação da função respiratória que a DPOC atinge. Foram já demonstrados “inúmeros benefícios, não só na DPOC, mas também noutras patologias respiratórias, tais como a asma, bronquiectasias, doenças restritivas, cancro do pulmão, pré e pós-operatórios de cirurgia torácica e abdominal”, refere a representante da Comissão de Trabalho de Reabilitação Respiratória da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Existem vários estudos que demostram que os doentes incluídos nos programas de reabilitação respiratória e que se mantêm fisicamente ativos, através da atividade física diária, “têm uma grande melhoria dos sintomas, nomeadamente: melhoria da dispneia, da tosse produtiva, uma maior capacidade de realização das atividades de vida diária, uma redução das hospitalizações e/ou recurso ao serviço de urgência”, relata a pneumologista. Os doentes acabam por ter também uma redução dos níveis de depressão e ansiedade e acabam por ter um maior nível de autonomia, o que conduz a uma “melhoria na qualidade de vida e a uma maior esperança média de vida”, afirma a Dr.ª Inês Sanches. No entanto, apesar de ser crucial a realização de exercício físico, a intensidade do mesmo deve ser adaptada às limitações de cada doente, “deve haver uma adequada prescrição do exercício personalizada para cada doente, atendendo às limitações respiratórias, cardiovasculares e osteoarticulares”, explica a especialista. Para além disso, o prescritor, deve também ter em conta as preferências do doente face ao tipo de exercício a realizar.

 

Os profissionais de saúde devem alertar sempre o doente para o perigo do sedentarismo. Um doente que sofre de DPOC e se deixa levar pelo sedentarismo tem um maior risco de ter uma exacerbação aguda bem como um maior risco de mortalidade. O doente sedentário está também exposto a um maior risco de “perda de massa muscular, diminuição da capacidade de exercício bem como das atividades diárias. Comorbilidades frequentes nos doentes com patologia respiratória como a diabetes, a obesidade, a doença coronária, o AVC, a ansiedade e a depressão, são também condicionados quando o doente decide acomodar-se ao sedentarismo.

 

Apesar de todas as vantagens associadas RR, “apenas 1% dos doentes com DPOC têm acesso a este tipo de tratamento” menciona a Dr.ª Inês Sanches. Muitas vezes o facto de os doentes não frequentarem centros de reabilitação está relacionado com “o desconhecimento dos benefícios e até da existência desta terapêutica por parte de alguns profissionais de saúde, não havendo, desde logo, a referenciação dos doentes para os programas”. Contudo, em Portugal, embora existam 12 centros de Reabilitação Respiratória continua a haver um grande défice nas estruturas e da capacidade de resposta. Os centros encontram-se “distribuídos de forma assimétrica no país sendo as regiões do interior as mais carenciadas” e os doentes “não têm forma de percorrer as distâncias até aos centros de reabilitação”, refere a médica. Os centros de Reabilitação Respiratória existentes são maioritariamente hospitalares mas “urge a implementação de outras modalidades de centros, nomeadamente comunitários e domiciliários, de forma a permitir uma maior inclusão dos doentes com patologia respiratória, quer seja menos grave, quer seja mais grave e com maior necessidade de monitorização”, conclui a representante da CT de Reabilitação Respiratória.

Presidente da República concede Alto Patrocínio à Corrida do Pulmão

Tendo em conta o peso que a patologia respiratória representa na mortalidade e morbilidade da população portuguesa e considerando que a Corrida do Pulmão tem como missão sensibilizar a população portuguesa para a necessidade da adoção de um estilo de vida saudável também como forma de prevenção das doenças respiratórias sendo uma ação transversal a todas as faixas etárias e onde esperamos reunir cerca de 500 participantes, a Sociedade Portuguesa solicitou à Presidência da República o Alto Patrocínio para esta atividade que terá lugar no Centro Desportivo Nacional do Jamor no dia 27 de maio.

Esta semana recebemos a confirmação de que a Corrida do Pulmão conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República, embora, por questões de agenda, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa não possa comparecer nesta atividade que vai reunir mais de 500 participantes.

Este patrocínio representa o reconhecimento da importância desta iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia que, a par da sensibilização para a promoção da saúde e prevenção da doença terá uma componente socioambiental. Por cada inscrição na Corrida, a Sociedade vai doar o valor de uma árvore à Quercus para reflorestar uma das zonas do país mais fustigadas pelos incêndios de 2017.

“É uma questão de cada pessoa encontrar a atividade física que melhor se ajusta às suas aptidões”

A Federação Portuguesa de Atletismo é aliada da Sociedade Portuguesa de Pneumologia na Corrida do Pulmão. O Prof. Pedro Rocha, coordenador do Programa Nacional de Marcha e Corrida da Federação Portuguesa de Atletismo, sublinha a importância desta aliança entre a Saúde e a Ciência, que considera benéfica para ambos os lados “quer na parte social porque temos uma atividade que tem benefícios em termos de prática, quer na parte da saúde porque eventualmente vamos ter menos pessoas com problemas”. Segundo o Prof. Pedro Rocha, o ideal “seria sermos ativos, utilizarmos as nossas atividades do dia-a-dia como ir para o emprego, às compras, passear com a família, passear no parque, para poder ser contabilizado no tempo recomendado nas guidelines”.

 

Qual a importância de a Federação Portuguesa de Atletismo aliar-se à Sociedade Portuguesa de Pneumologia nesta Corrida do Pulmão?

Prof. Pedro Rocha (PR) - É de extrema importância uma vez que a Federação tem, desde 2009, o programa Nacional de Marcha e Corrida que está ligado sobretudo à questão da saúde e do bem-estar com disciplinas como a corrida e a caminhada. Portanto, tudo o que haja de iniciativas que partam de associações/instituições e sejam de âmbito social relacionadas com estas duas atividades, a Federação tem todo o interesse em ser parceira.

Como é que vê esta articulação entre a ciência e o desporto?

PR – Parece-me muito relevante porque, nos últimos tempos, temos tido um alerta que tem passado para a sociedade, que é aproveitar os benefícios da prática da atividade física em prol da saúde. E se conseguirmos associar também a parte científica a esta atividade física, com recomendações e guidelines direcionadas para a população em si, para todas as pessoas sedentárias ou não sedentárias que possam tirar partido desta atividade eu acho que é vantajoso em ambos os sentidos: quer na parte social, porque temos uma atividade que tem benefícios em termos de prática; quer na parte da saúde porque eventualmente vamos ter menos pessoas com problemas.

De que forma é que o exercício pode ajudar a prevenir a doença e promover a saúde?

PR - O exercício é bastante profilático, ou seja, tem várias vantagens desde o ponto de vista físico ao ponto de vista social passando pelo psicológico. E, portanto, todas as atividades que estejam organizadas e orientadas sobre estes princípios podem ser praticadas por todas as pessoas independentemente do tipo de algumas limitações que podem ter em termos de saúde ou disponibilidade para a prática dessas atividades. É uma questão de cada pessoa encontrar a atividade física que melhor se ajusta às suas aptidões e começar a praticar. A partir do momento em que se inicia, quase de certeza, que vai progredir e essa progressão vai ser benéfica em vários aspetos, nomeadamente a melhoria da condição física, a perda de algum peso corporal que significa também a melhoria em termos da disponibilidade motora. Além disso, os aspetos psicológicos são muito importantes para este segmento de praticantes porque muitas vezes as pessoas precisam de melhorar a autoestima, de melhorar a sua qualidade de vida. Através do desporto promovem-se também as relações interpessoais e isso é muito importante na sociedade atual.

Qual é o tempo ideal para a prática de exercício físico de forma a ser benéfico para a saúde?

PR - Há algumas recomendações, há algumas guidelines internacionais, no entanto, aquilo que nós dizemos é que deve ter no mínimo 150 minutos por semana. O que dividido daria cinco vezes por semana, durante trinta minutos intercalando com um dia a dois de descanso. No entanto, o ideal seria sermos sempre ativos, utilizarmos as nossas atividades do dia-a-dia como ir para o emprego, ir às compras, passear com a família, passear no parque, para poder ser também contabilizado nesse tempo que é recomendado. É importante reforçar que, para tirar mesmo benefícios de uma atividade física organizada e regular, convém que o esforço seja de certa maneira controlado e que tenha um determinado nível de intensidade para poder eventualmente produzir esses benefícios. Aqui sugere-se sempre que a atividade tenha uma intensidade moderada, não atinja intensidades muito vigorosas, em esforços muito elevados porque não é isso que se pretende. O objetivo é que as pessoas possam desfrutar, por um lado do esforço físico em si, e por outro, tirar prazer da expressão que é essa atividade propriamente dita.

Quais é que são as suas expectativas para a Corrida do Pulmão?

PR - Eu este ano estou com enormes expectativas relativamente à Corrida do Pulmão. O ano passado tivemos a Corrida da Asma, na Expo, foi bastante importante iniciarmos essa corrida para termos também algum conhecimento da forma como as pessoas iam aderir. Este ano temos um espaço excelente para a prática da caminhada e da corrida, que é o Estádio Nacional que é o pulmão de Lisboa, a par de Monsanto. É um espaço muito bom, de excelência para fazermos atividade física e, neste caso, penso que vamos ter, a par do espaço, uma organização já com alguns cuidados que evoluiu do ano passado para este ano. E pelo feedback que tenho tido, as inscrições esgotaram de imediato, portanto, era bom que as pessoas que se associaram ao evento, cumprissem o compromisso de estarem presentes no dia 27 de maio connosco para podermos fazer um excelente evento e que isto significasse também um marco para todas as pessoas e, quem sabe até, um início da prática de exercício físico por parte de alguma população. Para os que já praticam, espero que venham disfrutar da modalidade que gostam, com uma boa organização num espaço de excelência.

O exercício pode ajudar na memória das mulheres

De acordo com um estudo publicado em Cognitive Research: Principles and Implications no ano de 2017, caso tenha algum tema ou assunto para se lembrar o melhor que tem a fazer é estudá-lo e depois sair para uma corrida ligeira ou um treino. Neste estudo 74 estudantes universitários foram submetidos ao seguinte teste:

  • Observar caras e nomes;

  • Metade dos participantes foi submetido a leque de exercícios durante 5 minutos enquanto a outra metade ficou quieta;

  • Todos foram submetidos aos mesmos rostos e nomes;

  • Todos fizeram o teste no dia seguinte;

  • O protocolo repetiu-se no dia seguinte contudo os participantes apenas exercitaram após o exame e voltaram a fazer o teste 24 horas mais tarde.

Após esta bateria de etapas conclui-se que a memória das atletas que se submeteu ao teste após o exercício melhorou e de destacar que só depois do treino é que se registaram melhorias.

Em relação aos atletas do sexo masculino não se registaram variações em ambos os exemplos.

Desta forma deixamos reforçada a importância do exercício não só para a saúde física como mental.

Ténis de corrida

Na hora de comprar ténis de corrida surgem dúvidas e há cada vez mais sugestões contudo cumpre-nos informar e seguir as sugestões do ACSM (American College of Sports Medicine) desta forma sugerimos:

  • Peso:

    • Cada ténis de corrida não deve exceder os 230 gr ( num modelo de senhora, tamanho 40) e os 280 gr ( num modelo de homem, tamanho 43).

  • Sola:

    • A zona do calcanhar deve ter uma altura máxima de 6 mm e não deve ser muito elevada relativamente à parte da frente;

  • Formato:

    • Deve ser neutro relativamente ao apoio predominante do pé.

  • Como escolher?

    • Medição:

      - Deve ser feita na loja, de preferência ao final do dia quando os pés estão mais inchados de modo que se aproxime do    que será o habitual em corrida. Guie-se pelo pé maior
  • Tamanho:

    • O ideal é haver 1,3 cm entre o polegar do pé e a parte da frente do ténis de corrida.

  • Teste da palminha:

    • Retire-a, coloque-a no chão e pouse o pé. Se o pé transbordar é porque está apertado.

 

 

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